[CHIQUE É SER MALDiTO]

- Uma barata

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em maio 13, 2011

Foto de Fellipe Abreu

- Sala de Espera [Cassiano Ricardo (1895-1974)]

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em setembro 23, 2010

(Ah, os rostos sentados
numa sala de espera.
Um “Diário Oficial” sobre a mesa.
Uma jarra com flores.
A xícara de café, que o contínuo
vem, amável, servir aos que esperam a audiência
[marcada.

Os retratos em cor, na parede,
dos homens ilustres
que exerceram, já em remotas épocas,
o manso ofício
de fazer esperar com esperança.
E uma resposta, que será sempre a mesma: só amanhã.
E os quase eternos amanhãs daqueles rostos sempre
[adiados
e sentados
numa sala de espera.)

Mas eu prefiro é a rua.
A rua em seu sentido usual de “lá fora”.
Em seu oceano que é ter bocas e pés
para exigir e para caminhar.
A rua onde todos se reúnem num só ninguém coletivo.
Rua do homem como deve ser:
transeunte, republicano, universal.

Onde cada um de nós é um pouco mais dos outros
do que de si mesmo.
Rua da procissão, do comício,
do desastre, do enterro.
Rua da reivindicação social, onde mora
o Acontecimento.

A rua! uma aula de esperança ao ar livre.

Agosto (Falso) Cinza

Publicado em -DRAMA por Bruno F. Duarte em setembro 6, 2010

Do branco ao preto
Em escala de cinza
Eram as cores
Frias
Exteriormente dominantes
Mas do lado inverso
Vivas, fortes, quentes
Por favor, um café
Pra comemorar
O falso Agosto cinza

- do blog mais um café por Filipe Mendes Freitas



- Me chama de Jeanne Duval

Publicado em retrate por Bruno F. Duarte em agosto 31, 2010

A amante de Baudelaire, reclinada. Retrato de Jeanne Duval, por Édouard Manet.

A jovem pergunta

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em março 22, 2010

Jovens. Descolados, das humanas, que vão ao cinema, ao teatro, ou que não vão – por falta de tempo ou de grana, mas guardam de cor os guias culturais da cidade. Jovens que sabem de tudo um pouco e, se não sabem, perguntam ao Google e escrevem resenhas dignas de algumas páginas da Bravo!

Jovens que reclamam do calor da cidade e correm para tirar seus agasalhos do armário quando um vestígio de cinza surge entre as montanhas do Rio e saem às ruas, e voltam de All Star enxarcado para acessar a internet em casa, já que por aqui não existe a opção de tomar um café com uma boa conexão wi-fi no Centro, num clima perfeito para ver a chuva fina cair e transformar os edifícios históricos em prédios antigos.

Jovens que fazem comunicação e atuam e escrevem e fotografam e twittam tudo isso. Jovens altos, baixos, magros, gordos, bonitos e bonitos – na juventude nada é feio, pois tudo ainda está por amadurecer.

Jovens sempre são vanguarda, são sempre os primeiros, pois foram os últimos a crescer – até agora.

Jovens cores coradas. Jovens néon. Jovens Lapa que saúdam o velho e o novo. Brindemos aos jovens. Vamos embebedar a juventude e trancá-la em casa para que não a percamos de vista, para que ela tente fugir e fuja – como o faz a juventude. E que ela deixe os outros em casa, sozinhos, para que estes lembrem-se de seus antigos planos de fuga, para que lembrem-se que também fugiam.

Eu tomaria o Rio todo agora. Ele pede todo dia para ser bebido. Um porre é muito mais interessante quando se é jovem, você promete que deixará de beber amanhã, e ainda tem muitos amanhãs para o deixar de fazer. Jovens. O que vamos fazer com toda essa juventude? E se antes de saber o que fazer com ela ficarmos velhos?

Marcado como:

- cenazerodeteatrocia.

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em julho 29, 2009

Vídeo montagem sobre exercícios de improvisação da Cena Zero de Teatro Cia.

- metablog

Publicado em retrate por Bruno F. Duarte em junho 30, 2009

[Chique É Ser Maldito]

- cigarro, asno, asneira

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em junho 18, 2009

Queimou até a penúltima ponta

Porque quando se consome não sobra ninguém pra contar carneiros.

- Olhar

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em maio 29, 2009

“There is passion in his eyes, voice and body”.

Sensitive eyes, thanks a lot.

- Bruto

Publicado em -DRAMA por Bruno F. Duarte em abril 30, 2009

Sentidos duros, burros, cegos, razos, fragéis, incertos. 

Não há falta de sentimentos, há excesso de adjetivos.

- roda

Publicado em -MALditas por Bruno F. Duarte em abril 1, 2009

Eu que via nessa outra vida a minha
Sentia suas dores, contrabandiei seus vícios
[marca do cigarro, divã, coca-cola]
e supunha
tudo ser vice
tudo ser verso

roda!

E outra pessoa vive o reflexo
de um espelho vazio, sem fundo,
partido – que quem ama só enxerga inteiro
porque enxerga a si próprio.
Alguém me disse uma vez:

“Aquele que ama é mais afortunado do que
o ser amado, pois dentro dele habita um deus.”

Sem demagogia, por favor.
O amor é risco,
humanos não têm sete vidas.

- oui mon frère

Publicado em retrate por Bruno F. Duarte em fevereiro 21, 2009

Mariée

- correspondência

Publicado em -Sobre por Bruno F. Duarte em janeiro 27, 2009

Há muito, muitos dizem, muitos escreveram.

Há muitos.

Poucas cartas chegaram a seu destino.

Das poucas

poucos souberam escrever em minha língua.

Ele soube

- Talvez seja essa antropologia.

Nunca antes li esta correspondência.

Veio com a minha vergonha na cara,

com a vaidade dos pronomes possessivos

e com uma garrafa.

 

Ainda não abarquei todo mar de poesia dele,

mas aquele que fala sobre o homem

escreve em minha língua

coisas que nunca li sobre mim.

- paradoxo

Publicado em -Sobre por Bruno F. Duarte em janeiro 8, 2009

É quando você sente que está mais perdido que está mais próximo de se encontrar.

Me sinto mais perdido a cada dia. 

E quanto mais me desespero mais meu ventre gela pela possibilidade de me encontrar a qualquer momento do meu lado.

Posso apostar que sou laranja, às vezes imagino que tenho muitas cicatrizes nas pernas pelas molequices ou que tenho uma distinta na testa por um grande feito.

O doce de tudo isso é aguardar desejoso meu encontro comigo mesmo e saborear o susto por me encontrar e ver que eu não era nada daquilo que estava pensando.

- Ar

Publicado em -DRAMA, -MALditas por Bruno F. Duarte em dezembro 16, 2008

cam-266

“Assim como aço em brasa, tudo o que é excessivo é branco.”

Antonin Artaud

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