- vomissements (fan)
- Sobre mim
Falar sobre ele é falar sobre mim
Pois tua imagem reflete aqui
Projeção dionisíaca
embriaga-me o propósito
teus não-sei-porquês
eu desejo tal ambrosia
e eu interpreto
como centelha de poesia
o esboço do afeto.
Pega essa vontade que te perturba
põe teu vestido
eu te escondo na turba.
Por trás das máscaras todos somos pares.
Pele, cheiros, toques, olhares.
Tremer de orgãos num descompassar,
que descompassa, descompassa,
que custa a passar.
Que me puxa pela noite,
és amigo de morfeu,
não há explicação para invadir seus sonhos meus.
Na turba eu me perco,
no turbante eu me acho.
philia, agape, eros,
sileno, bacantes, eu,
o confidente de tépsis,
Carolina,
meu irmão Andrew,
a rosa negra,
Marrano,
Uma mulher negra independente,
meus ícones cults,
Meus ídolos pop,
meus poetas malditos,
meus livros não lidos,
uma orgia de frustrações,
tudo idealização do futuro
de um passado mais que imperfeito.
Minhas relíquias do presente
meu arquivo quase morto
cai
tudo sobre mim.
As mulheres negras independentes me surpreendem e fazem eu me espantar comigo mesmo as mulheres negras independentes. As mulheres negras independentes me fazem tremer e mostrar os dentes as mulheres negras independentes. As mulheres negras independentes enchem meus cadernos em branco, e o cinza fosco do meu lápis agora se faz platino, reluzente, fúlgido e todos os outros adjetivos equidistantes no admirável potencial intelectual dela. Ela - a mulher negra independente. Ela adentra e minha máscara cool-t cai. Ela mulher negra independente. Não me contenho, não me suporto, é poesia demais. De masini adamente - como meu brother Andrew. Às mulheres negras independentes toda minha dor às mulheres negras independentes. Por isso a minha cor às mulheres negras independentes. Por isso o meu sangue. Por isso minhas palavras que se embolam, tropeçando, vermelhas, coradas, envergonhadas, que mostram suas pernas costuradas, desavergonhadas. Por isso minha timidez. Por isso eu digo pelas teias desta rede escondido: todo meu amor às mulheres negras independentes. Ela é de-masini-adamente uma mulher negra independente.
- escândalo
Ó doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda
Atrás de alguma paz.
Agora, nada de machado e sândalo.
Você que traz o escândalo,
Irmã-luz.
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei demais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui.
Me responda, tô sofrendo:
Rompe a manhã da luz em fúria a arder
Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria
Pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui, só.
Caetano Veloso
Não te amo, quero-te: o amor vem d’alma.
E eu n ‘alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror…
Mas amar!… não te amo, não.
- vista
- Ócio II
bunda de padre
bafo de miojo
um toque sutil
de sul-realidade
- A ostra e a ostra.
Me sugeriram um período Ostra.
Mesmo que seja só pra fingir pra você
e chamar sua atenção,
prefiro dizer que estou num momento pérola.
- rebuscando
Busca, busca, busca, busca,
busca, busca, busca, busca,
busca, busca, busca, busca, busca.
Não me fale em etmologia
- Palavras são arbitrárias.
- Post
Meu carro – volante à direita
Pega uma conexão-fachada.
Faróis acesos,
Olhos bem fechados.
Sim, sim
Você perdeu a direção.
- Oui, mon frère.
Estou falando com você.
Palavras na boca, francês decorado.
A marcha mais forte.
Pneu declamado
Pulso no acelerador.
Quebra do ritmo
A cara no post
Me diz:
- Essa cena já perdeu o timing.

