[CHIQUE É SER MALDiTO]

– vida cinza mais-uma-vela-apagada

Posted in -Sobre by Bruno F. Duarte on setembro 7, 2008

 

A bomba detonada no Centro do Rio na manhã do dia sete de setembro era na verdade um artefato de efeito moral. Isso foi o que eu pensei em escrever no curto momento em que rezava para que o Brasil não estivesse sendo invadido por um braço terrorista de algum país de nome estranho.

 

O estrondo me acorda de repente. Bem típico de um sete de setembro pra quem mora no Novo Centro Antigo – é assim que eles chamam agora as ruas fedidas, os prédios velhos e os pés-sujos hypes da Lapa e adjacências. Era só um avião – não, era um caça – sim um avião. Claro. Sete de setembro, avião, barulho, tinha que ter alguma coisa, né? Afinal de contas era aniversário do Andrew – mas essa última informação só ficou clara agora, três dias depois.

 

Antes ela só palpitava, pulsava, perguntava (Não é seis? Sete? Oito?). Foi um esforço tão grande pela independência. Eu apaguei cada sinapse, desescrevi toda a sinopse. Dei ordens para que todo exército de pensamentos recuasse. Toda a minha cabeça antes era confusão. E se eu não sabia lidar com aquele emaranhado de informação sigilosa, agora, eu lutava contra o profeta do pós-guerra. Ele era meu inimigo. Inimigo do Bruno centrado, equilibrado e com status intelectual.

 

A sua anti-matéria-minha me reduz a nada. Esse oposto me destrói, devasta meus risonhos lindos campos de paradigmas. Como um pirata saqueia todo meu estoque de sorrisos paraguaios, minha idade, meu leme, minha precariedade de sentimentos, meu tão instável equilíbrio emocional, minha fantasia. Eu só queria esquecer por instantes, mas esqueci demais. O superego diz que é pouco, mas na verdade tanto faz.

 

Ele sabe que eu nunca liguei paras as tais convenções sociais. A rima fácil me diz que eu sou o tosco, o fosco, uma rima barata, uma barata, outra rima barata. E insiste em completar que eu só queria te dizer a idéia que eu tive pras fotos com cenário do Nelson Rodrigues e com as músicas do Chico Buarque, mas o que eu sempre digo quando as forças reacionárias embebedam-se é: Queria falar com você… E elas se rendem a revolução que prega a abstenção masini – o controle, o equilíbrio e a convulsão. Elas só não aprenderam que tudo é uma coisa só. Tudo é escuro. Tudo é Bruno. E mais do que um dia de independência o sete de setembro foi um dia de trabalho inconsciente.

 

Eu, sim, pedi pra esquecer tudo, eu precisava me afastar da equação. E agora está tudo leve. Eu esqueci pra nunca mais lembrar de esquecer. E eu posso falar que eu gosto de tudo isso, eu gosto de ser verdade. Eu quero ser claro. Eu sou seu amigo. E isso é o que eu sempre quis ser. A poesia às vezes faz tudo parecer turvo, mas na verdade é tudo muito claro. Sempre esteve abaixo. A data foi convencionada, o que me importa é que você nasceu. Os parabéns não são pra você. Viva ao acaso que nos deu o fardo e a glória de ser.

 

 

 

 

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2 Respostas

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  1. David said, on outubro 19, 2008 at 1:50 am

    Hola, Bruno. ¡A ver si actualizas el blog!
    ¿Qué tal el proyecto teatral? ¿Los ensayos bien?
    Ya te iré enviando fotos, ciaooo

  2. GUSTAVO said, on setembro 25, 2008 at 7:58 pm

    feliz aniversario brunito!!!


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