[CHIQUE É SER MALDiTO]

– demasia

Posted in -DRAMA by Bruno F. Duarte on dezembro 16, 2008

Sinto muito, sinto muito
Eu sinto muito em lhe dizer
que sinto tudo em demasia
sinto muito por você

Sinto muito e isso é pouco
Tão pequeno quanto eu
Sinto o mundo e isso é louco
Pois o meu não é o seu

Sinto muito e isso é longe
A dois passos do eterno
Sinto muito e a dor me toma
quando sua vida é perto

Sinto muito pelo escrito acima
me arrependo do que fiz
Sinto muito não sentir tanto por mim
e pelo grotesco

– Sempre/nunca [ avidamente]

Posted in -DRAMA by Bruno F. Duarte on novembro 25, 2008

Eu sempre matuto. Sempre infantil em matéria de ser matéria estável. Eu sempre quis saber sobre quem são as palavras, sobre o que é você – você nunca quis? Eu sempre, sempre, todo tempo, quis saber o que é. Certo ou errado. Bom pra mim ou morte. O Bruno sempre procurou a luz. Ontem eu gritei por Deus. E repeti, repeti, repeti, igualzinho escrevi aqui, só que por três vezes três vezes – repetido, igual está aqui. A toupeira sempre é toupeira. Todo dia. Tudo o que é bruno é escuro.

Eu nunca esqueço. Nunca adulto em matéria de ser matéria instável. Eu nunca quis lembrar que o mundo existe. Eu nunca entrei aqui antes de passar na sua casa. Você nunca dormiu aqui. A luz sempre me procura e ela quer me cegar. Ontem eu gritei teu nome. Eu desejava, desejava (alguém grita: Chega!). Eu nem sabia o porque. Nunca soube. Eu não sei porque me corroe essa falta de títulos. A verdade é sempre um pouco de sim e de não ou então a vida faria todo sentido, mas a vida mente e com cacófatos constrói sentidos avidamente.

– 01:09/13:09

Posted in 1 by Bruno F. Duarte on outubro 22, 2008

Em Dois Meses doze horas se passaram e o menino escuro sentiu saudade de trocar letra com
seu amigo quase perdido. Curiosa a surpresa de se escrever em horas exatas. Curioso como a tudo é quase ciclíco. Como o mundo que é quase redondo. Doze horas que me fazem escrever. Só pela vontade. E quando se quer é muito melhor porque nada precisa fazer sentido. É tudo o que a gente gosta.

– modo

Posted in 1 by Bruno F. Duarte on outubro 21, 2008

Pare com os diariozinhos isso não é coisa pra rapaz.
Procure algo sério pra fazer, algo que te apraz.

Deixe essas rimas baratas,
a baratísse ficou pra trás.

Busque outro modo de se usar,
o usual ele não quer mais.

Faça caricaturas desses esteriótipos
talvez encontre equílibrio na traição de
tuas formas insólitas.

Afaste-se do problema:
Fuja, beba, faça e chore.
Arrepeda-se.

Seja descente com suas indescências.
Seja fraco.

Cospe na cara da inércia,
Corre, anda, pára!

Fala
Não há mais modo de se viver

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– tempoTEMPO

Posted in retrate by Bruno F. Duarte on outubro 21, 2008

 

De tempos em tempos mau tempo

– vida cinza mais-uma-vela-apagada

Posted in -Sobre by Bruno F. Duarte on setembro 7, 2008

 

A bomba detonada no Centro do Rio na manhã do dia sete de setembro era na verdade um artefato de efeito moral. Isso foi o que eu pensei em escrever no curto momento em que rezava para que o Brasil não estivesse sendo invadido por um braço terrorista de algum país de nome estranho.

 

O estrondo me acorda de repente. Bem típico de um sete de setembro pra quem mora no Novo Centro Antigo – é assim que eles chamam agora as ruas fedidas, os prédios velhos e os pés-sujos hypes da Lapa e adjacências. Era só um avião – não, era um caça – sim um avião. Claro. Sete de setembro, avião, barulho, tinha que ter alguma coisa, né? Afinal de contas era aniversário do Andrew – mas essa última informação só ficou clara agora, três dias depois.

 

Antes ela só palpitava, pulsava, perguntava (Não é seis? Sete? Oito?). Foi um esforço tão grande pela independência. Eu apaguei cada sinapse, desescrevi toda a sinopse. Dei ordens para que todo exército de pensamentos recuasse. Toda a minha cabeça antes era confusão. E se eu não sabia lidar com aquele emaranhado de informação sigilosa, agora, eu lutava contra o profeta do pós-guerra. Ele era meu inimigo. Inimigo do Bruno centrado, equilibrado e com status intelectual.

 

A sua anti-matéria-minha me reduz a nada. Esse oposto me destrói, devasta meus risonhos lindos campos de paradigmas. Como um pirata saqueia todo meu estoque de sorrisos paraguaios, minha idade, meu leme, minha precariedade de sentimentos, meu tão instável equilíbrio emocional, minha fantasia. Eu só queria esquecer por instantes, mas esqueci demais. O superego diz que é pouco, mas na verdade tanto faz.

 

Ele sabe que eu nunca liguei paras as tais convenções sociais. A rima fácil me diz que eu sou o tosco, o fosco, uma rima barata, uma barata, outra rima barata. E insiste em completar que eu só queria te dizer a idéia que eu tive pras fotos com cenário do Nelson Rodrigues e com as músicas do Chico Buarque, mas o que eu sempre digo quando as forças reacionárias embebedam-se é: Queria falar com você… E elas se rendem a revolução que prega a abstenção masini – o controle, o equilíbrio e a convulsão. Elas só não aprenderam que tudo é uma coisa só. Tudo é escuro. Tudo é Bruno. E mais do que um dia de independência o sete de setembro foi um dia de trabalho inconsciente.

 

Eu, sim, pedi pra esquecer tudo, eu precisava me afastar da equação. E agora está tudo leve. Eu esqueci pra nunca mais lembrar de esquecer. E eu posso falar que eu gosto de tudo isso, eu gosto de ser verdade. Eu quero ser claro. Eu sou seu amigo. E isso é o que eu sempre quis ser. A poesia às vezes faz tudo parecer turvo, mas na verdade é tudo muito claro. Sempre esteve abaixo. A data foi convencionada, o que me importa é que você nasceu. Os parabéns não são pra você. Viva ao acaso que nos deu o fardo e a glória de ser.

 

 

 

 

– vomissements (fan)

Posted in retrate by Bruno F. Duarte on agosto 19, 2008

 

Vai,

conta pra todo mundo.

Espalha pedaços de um lugar escuro,

não é assim que me chamam, Bruno?

– Sobre mim

Posted in -DRAMA by Bruno F. Duarte on agosto 18, 2008

Falar sobre ele é falar sobre mim

Pois tua imagem reflete aqui

Projeção dionisíaca

embriaga-me o propósito

teus não-sei-porquês

eu desejo tal ambrosia

e eu interpreto

como centelha de poesia

o esboço do afeto.

Pega essa vontade que te perturba

põe teu vestido

eu te escondo na turba.

Por trás das máscaras todos somos pares.

Pele, cheiros, toques, olhares.

Tremer de orgãos num descompassar,

que descompassa, descompassa,

que custa a passar.

Que me puxa pela noite,

és amigo de morfeu,

não há explicação para invadir seus sonhos meus.

Na turba eu me perco,

no turbante eu me acho.

philia, agape, eros,

sileno, bacantes, eu,

o confidente de tépsis,

Carolina,

meu irmão Andrew,

a rosa negra,

Marrano,

Uma mulher negra independente,

meus ícones cults,

Meus ídolos pop,

meus poetas malditos,

meus livros não lidos,

uma orgia de frustrações,

tudo idealização do futuro

de um passado mais que imperfeito.

Minhas relíquias do presente

meu arquivo quase morto

cai

tudo sobre mim.

– as mulheres negras independentes

Posted in -Sobre by Bruno F. Duarte on agosto 18, 2008

As mulheres negras independentes me surpreendem e fazem eu me espantar comigo mesmo as mulheres negras independentes. As mulheres negras independentes me fazem tremer e mostrar os dentes as mulheres negras independentes. As mulheres negras independentes enchem meus cadernos em branco, e o cinza fosco do meu lápis agora se faz platino, reluzente, fúlgido e todos os outros adjetivos equidistantes no admirável potencial intelectual dela. Ela – a mulher negra independente. Ela adentra e minha máscara cult cai. Ela mulher negra independente. Não me contenho, não me suporto, é poesia demais. É Demasiadamente. Às mulheres negras independentes toda minha dor às mulheres negras independentes. Por isso a minha cor às mulheres negras independentes. Por isso o meu sangue. Por isso minhas palavras que se embolam, tropeçando, vermelhas, coradas, envergonhadas, que mostram suas pernas costuradas, desavergonhadas. Por isso minha timidez. Por isso eu digo entre nuances de um rubor mal resolvido: todo meu amor às mulheres negras independentes. Ela é demasiadamente uma mulher negra independente.

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– escândalo

Posted in - dó by Bruno F. Duarte on agosto 13, 2008

Ó doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda
Atrás de alguma paz.
Agora, nada de machado e sândalo.
Você que traz o escândalo,
Irmã-luz.

Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei demais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui.

Me responda, tô sofrendo:
Rompe a manhã da luz em fúria a arder
Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria
Pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui, só.

Caetano Veloso

– Não te amo [Almeida Garret]

Posted in 1 by Bruno F. Duarte on julho 8, 2008

Não te amo, quero-te: o amor vem d’alma.
E eu n ‘alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror…
Mas amar!… não te amo, não.

– vista

Posted in retrate by Bruno F. Duarte on junho 24, 2008

A minha janela tem vista pro cinza

 

A minha Janela tem vista pro cinza.

– Ócio II

Posted in -lágrimas de COCrODILLO by Bruno F. Duarte on maio 19, 2008

 

bunda de padre

bafo de miojo

um toque sutil

de sul-realidade

 

 

– A ostra e a ostra.

Posted in 1 by Bruno F. Duarte on maio 18, 2008

Me sugeriram um período Ostra.

Mesmo que seja só pra fingir pra você

e chamar sua atenção,

prefiro dizer que estou num momento pérola.

– rebuscando

Posted in 1 by Bruno F. Duarte on maio 16, 2008

Busca, busca, busca, busca,

busca, busca, busca, busca,

busca, busca, busca, busca, busca.

Não me fale em etmologia

– Palavras são arbitrárias.