[CHIQUE É SER MALDiTO]

A jovem pergunta

Posted in -MALditas by Bruno F. Duarte on março 22, 2010

Jovens. Descolados, das humanas, que vão ao cinema, ao teatro, ou que não vão – por falta de tempo ou de grana, mas guardam de cor os guias culturais da cidade. Jovens que sabem de tudo um pouco e, se não sabem, perguntam ao Google e escrevem resenhas dignas de algumas páginas da Bravo!

Jovens que reclamam do calor da cidade e correm para tirar seus agasalhos do armário quando um vestígio de cinza surge entre as montanhas do Rio e saem às ruas, e voltam de All Star enxarcado para acessar a internet em casa, já que por aqui não existe a opção de tomar um café com uma boa conexão wi-fi no Centro, num clima perfeito para ver a chuva fina cair e transformar os edifícios históricos em prédios antigos.

Jovens que fazem comunicação e atuam e escrevem e fotografam e twittam tudo isso. Jovens altos, baixos, magros, gordos, bonitos e bonitos – na juventude nada é feio, pois tudo ainda está por amadurecer.

Jovens sempre são vanguarda, são sempre os primeiros, pois foram os últimos a crescer – até agora.

Jovens cores coradas. Jovens néon. Jovens Lapa que saúdam o velho e o novo. Brindemos aos jovens. Vamos embebedar a juventude e trancá-la em casa para que não a percamos de vista, para que ela tente fugir e fuja – como o faz a juventude. E que ela deixe os outros em casa, sozinhos, para que estes lembrem-se de seus antigos planos de fuga, para que lembrem-se que também fugiam.

Eu tomaria o Rio todo agora. Ele pede todo dia para ser bebido. Um porre é muito mais interessante quando se é jovem, você promete que deixará de beber amanhã, e ainda tem muitos amanhãs para o deixar de fazer. Jovens. O que vamos fazer com toda essa juventude? E se antes de saber o que fazer com ela ficarmos velhos?

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